Profissional de escritório em mesa com metade estressada e metade equilibrada mentalmente

Este artigo é baseado no vídeo acima e na minha experiência ao longo de duas décadas acompanhando de perto a realidade do afastamento, absenteísmo e presenteísmo nas empresas brasileiras. A SSO Segurança e Saúde Ocupacional, aliás, vem diariamente enfrentando esse desafio no centro de São Paulo, ajudando empresas e equipes a superar barreiras que nunca pensei que veríamos com tanto destaque no século XXI. Aqui, vou compartilhar o que considero essencial, com dados, exemplos, vivências e soluções.

Por que o afastamento não para de crescer no Brasil?

Eu costumo dizer que poucas métricas revelam tanto sobre um ambiente corporativo quanto os números de afastamento por questões psicológicas. Vivemos uma era em que, segundo o Ministério da Previdência Social, mais de 440 mil brasileiros se afastaram do trabalho por transtornos mentais só em 2024, quase o dobro do registrado dez anos antes. Em 2025, este número já superou 470 mil pessoas, de acordo com registros do INSS levantados pelo Smartlab. O que está acontecendo?

Primeiramente, é preciso desfazer um mito persistente: a maior causa de afastamento no Brasil já não é acidente de trabalho físico, mas sim ansiedade, depressão, síndrome de burnout e diversos outros quadros de sofrimento mental. O panorama é alarmante: a Associação Nacional de Medicina do Trabalho indicou um aumento de quase 80% nos afastamentos desse tipo entre 2023 e 2025, com o custo financeiro ao INSS ultrapassando os 950 milhões de reais no último levantamento disponível.

Minha percepção de quem atua na SSO Segurança e Saúde Ocupacional é de que muitos desses afastamentos poderiam ser evitados se o ambiente fosse mais acolhedor e menos hostil. De um lado, vejo o medo de perder o emprego. Do outro, a sobrecarga invisível das metas irreais e da pressão desmedida.

Profissional sentado em sua mesa de trabalho, com as mãos na cabeça, mostrando cansaço mental.

O impacto financeiro: mais que três salários perdidos

Gosto de frisar que o afastamento por transtorno mental não afeta apenas a pessoa que sai. O desastre se espalha: a média de custo para a empresa pode chegar a três vezes o salário do empregado. Quando alguém se afasta, a equipe sente o baque, filas de tarefas paradas, sobrecarga para os colegas, queda de engajamento do grupo, atrasos em projetos e, muitas vezes, conflitos internos acirrados. Sem falar nos custos diretos: contratação temporária, horas extras para cobrir funções, treinamentos rápidos que resolvem menos do que complicam.

Os dados oficiais reforçam o que vejo na prática. Pesquisa com base nos registros do INSS revela um prejuízo gigantesco para o país. A desorganização contagia toda a equipe e perpetua um ciclo danoso de absenteísmo e presenteísmo. Em outros termos: pessoas vão ao trabalho mesmo sem condições, entregam menos, erram mais, enquanto outros tantos não conseguem sequer levantar da cama.

Por que os afastamentos por questões mentais aumentaram tanto?

Pergunta que escuto quase todo dia: por que agora? O trabalho sempre existiu, mas esta onda de absenteísmo, presenteísmo e licenças aparece como uma novidade cruel. Veja alguns fatores que detectei tanto no consultório quanto no contato direto com empresas:

  • Pressão por metas inalcançáveis
  • Lideranças autoritárias ou despreparadas
  • Clima de insegurança e medo de desligamentos
  • Ambientes sem estímulo para diálogo ou escuta ativa
  • Falta de reconhecimento mesmo para bons resultados
  • Excesso de jornadas ou inflexibilidade total de horários
  • Ausência de políticas reais de saúde mental

É impossível ignorar que a maioria desses afastamentos foi causada por quadros de ansiedade, depressão e, em crescimento, síndrome de burnout segundo o levantamento do Smartlab/INSS (veja mais nesta matéria).

Quem sofre se cala, e a empresa inteira adoece junto.

Quais os sinais de estresse e risco de afastamento?

Se eu pudesse dar apenas um conselho a qualquer gestor ou colega, seria: preste atenção nos detalhes que fogem do padrão da pessoa no trabalho. O afastamento geralmente começa antes do ponto ser batido. Costumo observar sinais como:

  • Fadiga constante e cansaço visível
  • Noites mal dormidas impactando o raciocínio
  • Apatia, isolamento e menos interação com o grupo
  • Queda clara na qualidade ou no volume das entregas
  • Falta de engajamento em reuniões ou atividades coletivas
  • Queixas físicas persistentes, como dores musculares ou enxaqueca
  • Alterações bruscas de humor ou irritabilidade fora do comum

Os sintomas podem ser sutis, mas quase nunca aparecem sozinhos. O que noto é que a sobrecarga emocional raramente some sem um olhar humano do outro lado. No ambiente da SSO, sempre oriento colegas e empresas a observarem juntos e a não ignorar esses sinais.

Para quem quiser um aprofundamento nos efeitos do estresse sobre a saúde, indico um artigo que escrevi sobre as consequências do estresse no ambiente de trabalho.

O custo oculto: o que está por trás do presenteísmo?

Algo que me preocupa muito é o chamado presenteísmo. Muitos colaboradores permanecem presentes fisicamente, mas não conseguem se dedicar ao trabalho de forma plena.

O presenteísmo passa despercebido em muitas empresas, mas funciona como um vazamento silencioso de energia, resultados e saúde coletiva.

Em minhas consultorias, vejo que o medo do afastamento formal faz com que muitos permaneçam no ambiente, mesmo totalmente debilitados. Quando tratamos de psicodinâmica do trabalho, percebo que a ausência de políticas claras de acolhimento incentiva esse comportamento. O presenteísmo, ao contrário do absenteísmo evidente, é mais difícil de medir, mas seu impacto devastador está nas entregas ruins, nos erros recorrentes e nos acidentes “bobos” que poderiam ser evitados.

Time reunido numa sala conversando sobre saúde mental.

Como romper o ciclo? 7 soluções para evitar afastamentos e suas consequências

Depois de muitos anos ouvindo histórias, participando de programas de saúde ocupacional e, claro, errando e aprendendo, trago abaixo sete soluções que realmente vejo funcionarem para evitar afastamentos:

  1. Mapeamento dos riscos psicossociais Com a chegada da nova norma regulamentadora prevista para 2026, será obrigatório realizar o mapeamento e controle dos riscos psicossociais nas empresas. O objetivo é identificar áreas e processos mais expostos a fatores que causam sofrimento mental. Esse diagnóstico é o ponto de partida para qualquer ação sustentável.
  2. Promoção de uma liderança humanizada Sempre que lideranças são treinadas para ouvir, acolher e valorizar, em vez de apenas cobrar, percebo quedas significativas nos indicadores negativos. Em treinamentos promovidos pela SSO, insisto na necessidade de um olhar cuidadoso, sem deixar o resultado pra trás, mas aproximando gestores e equipes (veja o serviço de saúde mental com especialistas).
  3. Criação de um canal seguro de escuta e apoio Canal ativo, seguro, resguardando sigilo e acolhimento. Só assim vejo colaboradores relatarem situações de assédio, sobrecarga ou outras dificuldades sem receio de punição.
  4. Programas e campanhas de prevenção contínua Não basta fazer uma campanha anual. Na SSO, trabalhamos com ações recorrentes, palestras, ginástica laboral, rodas de conversa e disponibilização de materiais. O tema não pode ser tabu!
  5. Flexibilidade e adaptação de jornadas Uma das tendências mais claras para os próximos anos será a flexibilização da jornada para apoiar quem enfrenta sofrimento mental. Ajustar turnos, oferecer trabalho remoto parcial e abrir espaço para conciliação com tratamentos fazem toda diferença.
  6. Treinamento sobre sintomas e sinais de estresse Todos na empresa precisam saber reconhecer os principais sinais de esgotamento, ansiedade e depressão. Ações como workshops e materiais educativos podem salvar vidas e prevenir afastamentos prolongados.
  7. Atendimento psicológico e suporte multidisciplinar Investir em uma rede real de apoio, com profissionais qualificados e serviço disponível sem burocracia, é uma das marcas do sucesso no combate ao absenteísmo e presenteísmo. Na SSO, entendo o quanto esse cuidado precisa ser prático e imediato (conheça essa iniciativa).

Quando essas soluções são implementadas em conjunto, o ciclo de adoecimento quebra, e a empresa cresce junto com as pessoas.

Como a nova norma regulamentadora de 2026 muda o cenário das empresas?

Quem acompanha o segmento de medicina do trabalho sabe que a legislação está prestes a trazer mudanças profundas. A partir de 2026, empregadores de todos os tamanhos terão de realizar o mapeamento, monitoramento e prevenção de riscos psicossociais no ambiente laboral. Isso inclui, por exemplo, a exigência de relatórios frequentes, análise dos contextos de pressão excessiva e identificação de grupos mais suscetíveis a adoecimento mental.

No meu entendimento, e na prática da SSO Segurança e Saúde Ocupacional, este será um divisor de águas. Já estamos nos antecipando, orientando empresas, estruturando protocolos e treinamentos para que a adaptação seja fluida. Mais que uma obrigação, vejo esse movimento como uma chance única de criar ambientes mais sustáveis e preparados para os desafios mentais do século XXI.

Gestor e equipe sorrindo, clima leve e diverso.

Que tipo de apoio prático faz a diferença?

Cada contexto tem sua particularidade, mas existem algumas soluções universais que percebi que geram resultados positivos:

  • Disponibilizar atendimento psicológico presencial e remoto
  • Ginástica laboral em horários estratégicos
  • Campanhas abertas sobre saúde mental e combate ao estigma
  • Oferecer horários flexíveis para acompanhamento terapêutico
  • Treinamentos para lideranças focados em escuta ativa e não-violenta
  • Implantação de programas de prevenção e apoio em crises

Essas ações tornam o ambiente mais leve, aumentam o sentimento de pertencimento e reduzem drasticamente a chance de afastamentos de longa duração. E quem aplica vê na prática a melhora do clima e do engajamento.

Para entender mais sobre as soluções e impactos do burnout, indico um dos conteúdos mais acessados do nosso site: Crise de burnout: sinais, causas e prevenção.

Como a SSO Segurança e Saúde Ocupacional pode ajudar?

No universo do trabalho, percebo que a informação técnico-científica precisa caminhar junto com a empatia e a praticidade. Por isso, aqui na SSO Segurança e Saúde Ocupacional construímos soluções personalizadas que já ajudaram centenas de empresas no centro de São Paulo. Nosso foco não é apenas emitir laudos e realizar exames admissionais, mas sim preparar o ambiente para viver mudanças profundas.

Oferecemos programas completos de apoio psicológico, ginástica laboral, prevenção de burnout, capacitação de gestores e mapeamento psicossocial.

Um dos grandes diferenciais é a possibilidade de atendimento sem agendamento e a entrega do ASO no mesmo dia, o que permite respostas rápidas aos desafios de saúde mental. Estamos próximos das estações República e Anhangabaú, o que facilita para quem busca conveniência no acesso.

Para empresas que querem exemplos práticos de como transformar o ambiente, recomendo a leitura deste artigo detalhado sobre saúde mental no ambiente corporativo.

Conclusão

Após tantos anos acompanhando a realidade das empresas, vejo que a doença mental no trabalho não pode mais ser tratada como exceção, mas sim como prioridade absoluta. O afastamento traz impactos pessoais, sociais e econômicos graves. Com organização, informação e acolhimento, é plenamente possível reverter essa tendência crescente de absenteísmo e presenteísmo.

Se você gestor, RH ou colaborador, percebe que sua empresa precisa de apoio, eu recomendo um contato direto com a SSO. Podemos juntos preservar sua equipe, transformar o clima organizacional, e garantir os melhores resultados de forma saudável.

Entre em contato pelo Whatsapp (11) 97448.6307 e saiba como podemos preparar seu ambiente para um futuro mais equilibrado e sustentável.

Perguntas frequentes

O que é absenteísmo no trabalho?

Absenteísmo é a ausência do colaborador ao trabalho, seja por motivos médicos, pessoais ou outras razões. Isso inclui tanto licenças médicas quanto faltas injustificadas. O excesso de ausências pode sinalizar problemas na organização ou indícios de sofrimento mental.

Como evitar afastamento por saúde mental?

Para evitar o afastamento, é importante mapear riscos psicossociais, promover liderança humanizada, criar canais de apoio, investir na prevenção contínua, flexibilizar horários e oferecer suporte psicológico. Todas essas medidas, quando aplicadas em conjunto, ajudam a antecipar problemas e a cuidar da saúde mental nas empresas.

Quais são os efeitos do presenteísmo?

Presenteísmo gera baixa produtividade, aumento de erros, maior risco de acidentes e desmotivação generalizada. Colaboradores presentes fisicamente, mas desconectados emocional ou mentalmente do trabalho, acabam sofrendo e prejudicando o andamento das atividades e o clima do time.

Como a empresa pode apoiar o colaborador?

A empresa pode apoiar o colaborador oferecendo programas de saúde mental, atendimento psicológico, ginástica laboral, horários mais flexíveis, treinamentos para lideranças e programas de prevenção de crises. O acolhimento e a escuta ativa são essenciais para que todos se sintam seguros para pedir ajuda quando necessário.

Quem é Vendrame na área de RH?

Vendrame é uma referência na área de RH e saúde ocupacional, conhecido por suas contribuições em temas como absenteísmo, presenteísmo e afastamentos do trabalho. Suas abordagens, focadas na prevenção e gestão de riscos ocupacionais, servem de base para muitos processos adotados hoje no Brasil.

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Cristiano Cecatto

Sobre o Autor

Cristiano Cecatto

Diretor Perito Eng.mecânico Eng.seg.trabalho Mestre eng.produção Membro ABHO no.1280 Certified Machinery Safety Expert - CMSE® www.sso.com.br

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